
O pedido de São Francisco em visão do próprio Cristo foi que “a todos quantos arrependidos e confessados” que visitassem a Igreja da Porciúncula, fosse concedido “amplo e generoso perdão, com uma completa remissão de todas as culpas”.
Por CNBB
A Igreja oferece no próximo domingo, 2 de agosto, a oportunidade de os fiéis lucrarem a Indulgência da Porciúncula, também conhecida como o Perdão de Assis. Essa tradição da Igreja remonta ao ano de 1216, quando após uma experiência de oração dentro da ermida dedicada a Nossa Senhora, o Santo de Assis viu sobre o altar Jesus, a Virgem Maria e uma multidão de anjos e pôde apresentar ao Senhor seu desejo para a salvação das almas.
Frei Luís Felipe Marques, frade franciscano conventual e assessor da Comissão Episcopal para a Liturgia da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), motivou a participação dos fiéis nas celebrações desse dia como oportunidade de experimentar a misericórdia de Deus.
“O Perdão de Assis é muito mais do que uma celebração no calendário. É um convite para recomeçar, deixando-nos alcançar pela misericórdia de Deus e redescobrindo a alegria de um coração reconciliado. Foi na pequena Porciúncula, o lugar mais amado por São Francisco, que o Senhor realizou grandes maravilhas: a Palavra de Deus transformou a vida do Pobrezinho de Assis, floresceram a fraternidade franciscana e a vocação de Santa Clara, e Francisco recebeu o dom do Perdão. Tudo nesse pequeno santuário nos conduz ao essencial: o encontro com um Deus que nunca se cansa de esperar pelos seus filhos”, explicou.
Neste ano jubilar dedicado aos 800 anos da Páscoa de São Francisco, frei Luís Felipe destaca que também somos convidados a fazer essa peregrinação, ainda que espiritualmente.
“Basta entrar, com o coração, na Porciúncula e deixar ecoar uma pergunta: “Deus realmente me espera?” A resposta é tão simples quanto consoladora: sim! Deus nos espera. Espera-nos para nos levantar das quedas, envolver-nos com a sua misericórdia e devolver-nos a paz”.
Indulgência plenária
Por meio do Perdão de Assis, explica o frei, a Igreja oferece também o dom da indulgência plenária, “expressão concreta da infinita misericórdia do Pai para aqueles que, reconciliados no sacramento da Penitência, desejam renovar a própria vida e caminhar com mais liberdade no seguimento de Cristo”.
De fato, o pedido de São Francisco em visão do próprio Cristo foi que “a todos quantos arrependidos e confessados” que visitassem a Igreja da Porciúncula, fosse concedido “amplo e generoso perdão, com uma completa remissão de todas as culpas”. Assim Jesus concedeu, na condição de que o pedido fosse apresentado ao Papa. Obediente, São Francisco assim o fez, e o Papa Honório III institui a indulgência.
Agora, o perdão das culpas pode ser lucrado nas Igrejas paroquiais, no dia 2 de agosto ou em outro marcado pela autoridade diocesana. A forma de recebê-la é a de costume: piedosa visita à Igreja, onde se rezam o Pai-nosso e o Credo, sendo necessárias ainda a confissão sacramental, a Comunhão Eucarística e a oração na intenção do Papa.
O Diretório de Liturgia da Igreja no Brasil sublinha que essa indulgência só pode ser lucrada uma vez; e que a visita à Igreja pode ser feita desde o meio-dia da véspera até a meia-noite que encerra o dia marcado.
Um coração renovado, rumo ao Paraíso
“Que também nós façamos nosso o grande sonho de São Francisco: conduzir todos ao encontro de Cristo. Em seu coração ardia um único desejo: ‘Quero que todos vão para o Paraíso!’ Que esse mesmo desejo inspire a nossa vida e a nossa missão”, motiva frei Felipe.
“Vivamos, portanto, o Perdão de Assis com fé e gratidão. Aproximemo-nos da Reconciliação, participemos da Eucaristia e deixemos que o Senhor renove o nosso coração. Assim, voltaremos para casa reconciliados, fortalecidos e cheios da alegria do Evangelho, levando aos irmãos a paz e o bem que brotam do encontro com Cristo”.