
Nos cemitérios acontecem missas quase de hora em hora e nas paróquias acontecem uma ou mais missas no dia. As igrejas ficam abertas para que os fiéis possam acender velas e rezar por seus entes queridos falecidos
Orani João, Cardeal Tempesta, O. Cist.
Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ
A Igreja celebra na segunda-feira, dia 02 de novembro de 2026, o Dia de Finados, ou como a liturgia denomina a Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos. É um dia para lembrarmos com carinho daqueles que já partiram. Não é um dia de tristeza, mas de saudade, e através da fé acreditamos que aqueles que já partiram estão junto de Deus e um dia todos nós nos encontraremos na vida eterna.
O Dia de Finados é feriado nacional, mas não é um feriado qualquer no qual podemos ir simplesmente viajar ou passear, esse dia deve ser guardado com carinho, em respeito com aqueles que já faleceram. Esse dia deve ser reservado para irmos ao cemitério visitar o túmulo dos entes queridos que já partiram e participar da Santa Missa em memória dos fiéis defuntos no cemitério ou em sua paróquia.
Em nossa profissão de fé rezamos: “creio na ressurreição da carne e na vida eterna”, através da nossa fé católica acreditamos que a vida não termina aqui, mas ela continua na eternidade. A nossa vida terrena é passageira, é breve, e passamos por aqui em vista da vida eterna. A Igreja Católica não acredita na reencarnação, ou seja, cremos que a vida aqui na terra é uma só, ninguém volta para ter outra chance, mas após essa vida viveremos eternamente ao lado de Deus.
Jesus Cristo abriu-nos as portas da eternidade a partir da sua morte e posterior ressurreição, Ele nos garantiu que existia a vida eterna e que nos prepararia um lugar junto de Deus. A nossa vida está nas mãos de Deus, Ele nos deu a vida e somente Ele tem o poder de tirar a nossa vida, ninguém tem o direito de tirar a própria vida ou de tirar a vida do outro. O tempo de Deus é diferente do nosso, a nossa vida pode durar sessenta, setenta ou oitenta anos, mas devemos procurar viver retamente para estarmos preparados para o momento do encontro com o Senhor.
Não podemos viver com medo do dia de nossa morte, por mais que o assunto nos assuste um pouco. Todos os seres vivos nascem, amadurecem, crescem e depois de uma certa idade morrem, ninguém “fica para semente”. Felizes são aqueles que ultrapassam os oitenta ou noventa anos (tenho encontrado pessoas centenárias ultimamente), mas enquanto estamos nesse mundo terreno devemos viver amando a Deus e ao próximo e tendo no coração a certeza de que um dia nos encontraremos com Deus. Não sabemos quando será o dia e a hora de nosso encontro definitivo com Deus, como dizia Jesus: “Vós não sabeis qual o dia e a hora, nem os anjos do céu e nem o filho sabem, somente o Pai”. O “mundo” terreno acaba para aqueles que morrem, mas inicia para aqueles que morrem a vida eterna.

O Dia de Finados é próximo da data que celebramos o Dia de Todos os Santos, pois somos convidados a viver a santidade no dia a dia, com o nosso batismo somos chamados a ser sal na terra e luz no mundo e testemunhas de Jesus Cristo. Mesmo que não sejamos canonizados pela Igreja temos que buscar uma vida santa, levaremos dessa vida sobretudo o quanto fomos capazes de amar o nosso próximo.
No dia da missa de Finados somos convidados a levar o nome de nossos entes queridos dobrados num papel e colocá-los numa urna, nesse dia como são muitos nomes normalmente não se lê todas as intenções, mas reza-se por aqueles nomes que estão na urna. Nos cemitérios acontecem missas quase de hora em hora e nas paróquias acontecem uma ou mais missas no dia. As igrejas ficam abertas para que os fiéis possam acender velas e rezar por seus entes queridos falecidos.
Desde sempre os católicos têm o costume de rezar por seus entes queridos, prestar homenagem e enfeitar os túmulos. A exemplo de Jesus que morreu, foi sepultado e José de Arimatéia e Nossa Senhora preparam o seu corpo para o sepultamento. Depois, é claro Jesus deixa o túmulo vazio e ressuscita. Ainda se celebra a missa de sétimo dia, mensal e anual daqueles que já partiram. Antigamente a família guardava o luto por muito tempo e, em geral, por vários dias em respeito daquele que partiu para a eternidade. A esposa por exemplo ficava um tempo usando roupa preta e guardando o luto. Nos dias de hoje, mudou um pouco esse costume e o tempo de luto diminuiu.
Desde o século XI, os Papas Silvestre II, João XVIII e Leão IX, recomendavam vivamente que os cristãos dedicassem um dia para rezar por quem já havia falecido e muitas vezes não eram lembrados. Celebrar a memória de alguém que já partiu, é de certa maneira ter a certeza de que a pessoa sempre estará conosco. Não podemos esquecer daqueles que já se foram, pois alguma marca deixou em nossa vida.
A partir do século XII, o Dia de Finados, passou a ser celebrado pela Igreja católica em 02 de novembro. A partir do século IV foi acrescentada na Oração Eucarística a oração por todos os fiéis defuntos, para que a cada missa os fiéis possam lembrar de quem já se foi.
É difícil nos separar daqueles que amamos e a morte com certeza é momento duro, mas celebramos com saudade e não com tristeza essa data, tendo a certeza de que um dia nos encontraremos com quem já se foi. Celebremos esse dia com esperança e fé de que a vida não termina aqui, mas continua na eternidade, e que um dia todos nós nos encontraremos na eternidade.
