
Dom Orani destacou a decisão de Leão XIV de instituir consistórios anuais permanentes como “um passo decisivo para que a Cúria Romana e os pastores de todos os continentes caminhem em uníssono”
Nathália Queiroz / ACI Digital
“A sinodalidade deixou de ser um conceito abstrato para se tornar uma prática de governo tangível”, disse o arcebispo do Rio de Janeiro (RJ), cardeal Orani João Tempesta, O. Cist., num artigo sobre o primeiro aniversário da eleição do papa Leão XIV, celebrado amanhã, 8 de maio.
No artigo publicado por Vatican News, serviço de notícias da Santa Sé, dom Orani citou como exemplo de sinodalidade o Consistório Extraordinário realizado nos dias 7 e 8 de janeiro de 2026. O papa “reuniu o Colégio Cardinalício para exercer a primazia da escuta”, disse.
Dom Orani também destacou a decisão de Leão XIV de instituir consistórios anuais permanentes como “um passo decisivo para que a Cúria Romana e os pastores de todos os continentes caminhem em uníssono”. O próximo encontro acontecerá nos dias 26 e 27 de junho de 2026.
“Esta nova dinâmica de governação permite que os desafios das periferias do mundo cheguem com clareza ao centro da cristandade, fortalecendo a comunhão e a transparência que o Povo de Deus tanto anseia”, disse.
O conclave que elegeu Robert Francis Prevost como o 267º papa da história e o primeiro nascido nos EUA começou em 7 de maio de 2025 e terminou no dia seguinte, depois de quatro escrutínios. Teve a participação de 133 cardeais eleitores.
Segundo dom Orani, o conclave “não representou apenas uma sucessão administrativa”, mas “a renovação da promessa de Cristo de que o Espírito Santo jamais desampararia o Seu rebanho”.
Leão XIV “assumiu o múnus petrino num momento histórico de profundas dificuldades mundiais e de interrogações, oferecendo-nos, desde os seus primeiros gestos, uma bússola segura baseada na escuta, na paz e na radicalidade evangélica”, continuou.
A paz como pilar do pontificado de Leão XIV
O papa Leão XIV começou o discurso inaugural do seu pontificado, em 8 de maio de 2025, com a frase bíblica “A paz esteja convosco”. Para dom Orani, naquele momento o papa estabeleceu o “programa do seu governo: uma diplomacia que não se fundamenta no poder das armas ou na hegemonia dos nacionalismos, mas na força da humildade”.
“O primeiro grande pilar deste pontificado, que marcou indelevelmente este ano inicial, é a busca incansável e teológica pela paz”, escreveu o cardeal.
Segundo ele, “a Igreja assume uma postura ativa e profética, denunciando a barbárie das guerras contemporâneas e exigindo que o diálogo seja a única linguagem admissível entre as nações”.
Viagens apostólicas: uma Igreja em saída
Segundo o cardeal, as viagens apostólicas de Leão XIV “materializaram, em gestos geográficos, as prioridades do seu coração pastoral”.
A primeira viagem internacional de Leão XIV aconteceu entre novembro e dezembro de 2025, quando visitou a Turquia e o Líbano. Na Turquia, participou das comemorações pelos 1.700 anos do Concílio de Niceia e encontrou o patriarca ecumênico de Constantinopla, Bartolomeu I, com quem assinou uma declaração conjunta.
Para dom Orani, isso “foi um marco histórico para o ecumenismo, demonstrando que a unidade dos cristãos é uma urgência que não pode esperar”.
Em março de 2026, Leão XIV fez a primeira visita de um papa ao Principado de Mônaco, onde pediu maior atenção aos pobres e criticou a “cultura do descarte”.
Já em abril, o papa foi à África, visitando Argélia, Camarões, Angola e Guiné Equatorial. Na Argélia, Leão XIV celebrou a primeira missa pública do país, fato que, para dom Orani, “abriu novos caminhos para o diálogo inter-religioso num mundo tentado pelo fundamentalismo”.
O papa visitará amanhã (8), as cidades italianas de Pompeia e Nápoles. O cardeal disse que a escolha destas cidades no aniversário do pontificado sela o compromisso de Leão XIV “com as periferias sociais”.
“Para nós, na Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, este primeiro ano do Papa Leão XIV serve como um combustível para a nossa própria missão”, disse. “Somos chamados a ser, nesta “Cidade Maravilhosa” que também sofre, o rosto visível dessa Igreja que acolhe e que não teme o diálogo”, concluiu.