
O mês de maio e a espiritualidade dos capuchinhos convergem em um mesmo ponto: reconhecer em Maria um caminho seguro para Cristo
Por Pascom Capuchinhos
Desde a infância, muitos católicos aprendem que o mês de maio é dedicado de modo especial à Virgem Maria. Essa tradição, porém, não nasceu de um decreto específico nem de um único autor, mas foi sendo construída ao longo dos séculos no seio da Igreja Católica, a partir da sensibilidade do povo cristão e de práticas devocionais que ganharam forma com o tempo.
Na Europa medieval, maio coincidia com a primavera, estação marcada pelo florescimento da natureza, pela beleza das paisagens e pelo renascimento da vida. Esses elementos simbólicos foram naturalmente associados a Maria, reconhecida pelos fiéis como sinal de pureza, graça e esperança. Assim, tornou-se comum oferecer flores à Mãe de Jesus, rezar diante de suas imagens e dedicar-lhe homenagens especiais nesse período. Com o passar do tempo, especialmente entre os séculos XVII e XVIII, essa devoção começou a se estruturar de maneira mais organizada, com importante contribuição da Companhia de Jesus, que incentivou práticas como orações diárias, cânticos marianos e reflexões espirituais próprias para o mês.
No século XIX, a prática recebeu maior reconhecimento e incentivo por parte da própria Igreja, com papas como Papa Pio VII recomendando expressamente as devoções marianas em maio. A partir de então, o chamado “mês de Maria” se consolidou no calendário devocional com expressões muito conhecidas, como a recitação do terço, a montagem de altares nas casas e igrejas e, de modo especial, a coroação de Nossa Senhora. No Brasil, essa tradição encontrou terreno fértil e assumiu um caráter profundamente popular e afetivo, tornando-se um dos sinais mais marcantes da piedade do povo.
Dentro desse horizonte mariano, destaca-se também a profunda ligação da Ordem dos Frades Menores Capuchinhos com a Virgem Maria. Essa relação tem suas raízes na espiritualidade de São Francisco de Assis, que sempre nutriu uma devoção filial à Mãe de Jesus, reconhecendo nela a “Virgem feita Igreja”, modelo perfeito de escuta, humildade e entrega total a Deus. Os capuchinhos, como ramo reformado da família franciscana surgido no século XVI, herdaram e intensificaram essa espiritualidade, vendo em Maria não apenas um objeto de devoção, mas um exemplo concreto de vida evangélica, cuja simplicidade e disponibilidade refletem os valores que os frades buscam viver no seguimento de Cristo.
Na tradição capuchinha, Maria é contemplada como Mãe, Protetora e Intercessora, e os frades incentivam amplamente práticas como a recitação do terço, as devoções populares e a consagração a Nossa Senhora, sempre com um caráter simples, acessível e profundamente enraizado na vida do povo. Nesse contexto, destaca-se de modo especial a devoção a Nossa Senhora dos Anjos, padroeira e inspiração espiritual da Província Nossa Senhora dos Anjos dos Frades Menores Capuchinhos, que abrange os estados do Rio de Janeiro, Espírito Santo e Minas Gerais. Sob esse título, Maria é venerada como aquela que acompanha e protege a missão dos frades, iluminando seu caminho de serviço, fraternidade e evangelização.
Essa devoção encontra uma expressão concreta e significativa na celebração do dia 2 de agosto, quando se comemora a festa de Nossa Senhora dos Anjos, especialmente em Itambacuri, onde a data é vivida com grande fé e participação do povo, reafirmando a força da tradição mariana no contexto franciscano-capuchinho.
Assim, o mês de maio e a espiritualidade dos capuchinhos convergem em um mesmo ponto: reconhecer em Maria um caminho seguro para Cristo e uma presença materna que acompanha, sustenta e inspira a vida da Igreja, convidando os fiéis a uma vivência mais profunda da fé, marcada pela confiança, pela simplicidade e pelo amor a Deus.
