
O Papa Francisco visitou o local duas vezes: uma em 2016 e novamente em 1º de dezembro de 2019, quando assinou uma carta apostólica sobre o significado e a importância dos presépios.
Por Hannah Brockhaus / Catholic News Agency
É uma história de origem bem conhecida: como o jovem e rico Francisco de Assis abandonou livremente seu nobre patrimônio para servir à Igreja de Cristo como um pregador itinerante e pobre.
Um dos santos mais amados do mundo, o fundador da ordem franciscana tinha grande apreço pela criação de Deus. Ele também amava o Natal, a solenidade da Natividade do Senhor.
As meditações de São Francisco sobre a vida de Cristo o levaram a criar o primeiro presépio da história em Greccio, Itália, em 1223.
Da Terra Santa à Itália
Acredita-se que a inspiração de Francisco para fazer uma representação ao vivo do nascimento de Jesus tenha surgido de sua experiência na Terra Santa nos anos de 1219 e 1220.
Ver os locais sagrados do nascimento, vida, morte e ressurreição de Cristo fez com que parecessem ainda mais reais — e ele queria recriar essa experiência.
Em novembro de 1223, três anos antes de sua morte, São Francisco estava em Roma aguardando a aprovação do papa à regra final de seus frades.
O frade e diácono já conhecia muito bem a cidadezinha de Greccio, situada no alto de uma colina, a cerca de 80 quilômetros ao norte de Roma. Ele havia chegado lá pela primeira vez mais de uma década antes e retornava frequentemente para pregar ao povo da região rural circundante.

Antes de retornar ao eremitério, duas semanas antes do Natal, Francisco pediu a seu amigo, o senhor de Greccio Giovanni Velita, que preparasse uma gruta com animais vivos e uma manjedoura cheia de palha.
O frade já havia recebido permissão, durante sua audiência com o papa, para encenar a cena do nascimento de Jesus em Belém.
Segundo o primeiro biógrafo de São Francisco, Frei Tomás de Celano, o frade desejava “representar o nascimento daquele Menino em Belém de tal forma que, com nossos próprios olhos, pudéssemos ver o que ele sofreu por falta do necessário para um recém-nascido e como ele jazia em uma manjedoura entre o boi e o jumento”.
Foi assim que, em dezembro de 1223, nos penhascos rochosos a uma curta distância de Greccio, as pessoas se reuniram para ver a cena simples durante a missa de Natal.
São Francisco, que era diácono, proclamou o Evangelho e pregou a homilia.
Segundo relatos da época, fogueiras iluminaram a cena escura enquanto multidões chegavam ao local carregando velas e tochas.
Uma testemunha ocular afirma que um milagre aconteceu na missa naquela noite.
Giovanni Veleti afirmou ter visto um bebê de verdade aparecer na manjedoura vazia e que São Francisco tomou a linda criança em seus braços, segurando-a contra o peito em um abraço.
No período que se seguiu, outros milagres foram relatados, realizados pelo toque na palha da manjedoura onde o Menino Jesus havia aparecido.
Curas milagrosas ocorreram depois que pedaços de feno foram colocados sobre animais doentes ou mulheres em trabalho de parto com dificuldades.

Greccio hoje
O local onde foi encenada a primeira Natividade ainda pode ser visto hoje no eremitério e santuário franciscano fora da cidade principal. A rocha é coroada por um altar para a celebração da missa e adornada com afrescos que retratam o nascimento de Jesus.
O Papa Francisco visitou o local duas vezes: uma em 2016 e novamente em 1º de dezembro de 2019, quando assinou uma carta apostólica sobre o significado e a importância dos presépios.
“Todos os presentes” na Missa de Natal de São Francisco, escreveu o Papa Francisco na Admirabile Signum , “experimentaram uma alegria nova e indescritível diante da cena natalina. O sacerdote então celebrou solenemente a Eucaristia sobre o presépio, mostrando a ligação entre a encarnação do Filho de Deus e a Eucaristia. Em Greccio não havia estátuas; a cena da Natividade foi encenada e vivenciada por todos os presentes.”

Todos os anos, no Natal, os habitantes de Greccio encenam uma representação histórica ao vivo de São Francisco e do primeiro presépio. A apresentação já está em sua 50ª edição.
Esta matéria foi publicada originalmente em 23 de dezembro de 2022 e foi atualizada.