
No Santuário Basílica (Capuchinhos), os capuchinhos iniciam em 11 de janeiro, às 11h30, a preparação para a festa do padroeiro do Rio dia 20 — feriado municipal e celebração de fé que toma as ruas.
Por Emilton Rocha / Pascom
Com alegria, nossa comunidade se prepara para celebrar São Sebastião, o “Santo Guerreiro”, testemunha fiel de Cristo e sinal de esperança para o povo de Deus. No coração dessa preparação está o Santuário Basílica de São Sebastião (Igreja dos Capuchinhos), que carrega de modo muito especial a devoção ao padroeiro e acolhe, ano após ano, o povo que vem pedir graças, agradecer e renovar a fé. O tema deste ano é “São Sebastião, Missionário de Comunhão e Unidade”, com o lema “Alegres na esperança, fortes na tribulação, perseverantes na oração e enviados a missão”.
Neste ano, viveremos uma novena (9 dias) — e não uma trezena (13 dias), como aconteceu em anos passados. A trezena marcou profundamente a caminhada da Igreja no Rio como uma grande missão popular. Agora, com o mesmo espírito de oração e confiança, iniciamos este novo caminho celebrativo: a Novena começa no dia 11 de janeiro (domingo), às 11h30, convidando toda a comunidade a viver um tempo forte de encontro com Deus, conversão do coração e renovação da esperança, firmados na intercessão daquele que, com coragem, permaneceu fiel.
Celebrar São Sebastião é compreender por que ele é tão importante para o Rio de Janeiro. Ele é Padroeiro da Cidade do Rio de Janeiro, fundada em 1º de março de 1565 com o nome de “São Sebastião do Rio de Janeiro”, e é também Padroeiro principal da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro. Por isso, sua festa ultrapassa o âmbito de uma devoção particular: ela toca a própria identidade histórica e espiritual do nosso povo, que ao longo dos séculos aprendeu a reconhecer, em São Sebastião, um sinal de proteção, firmeza e coragem para enfrentar as dificuldades sem perder a fé. Nesse sentido, o Santuário Basílica de São Sebastião (Igreja dos Capuchinhos) se torna um espaço privilegiado dessa memória e dessa vivência: um lugar onde a cidade reza, se encontra e reafirma sua pertença ao padroeiro.
E essa ligação entre cidade e fé se expressa de maneira especial em 20 de janeiro, data litúrgica do santo, que é também feriado municipal no Rio de Janeiro, oficialmente consagrado à comemoração do padroeiro. É um dia de grande celebração, marcado por missas, manifestações públicas de fé e a grande procissão que reúne multidão. De certa forma, a própria história do Rio traz essa marca: a cidade nasceu com o nome de São Sebastião do Rio de Janeiro, e, ao celebrar seu padroeiro, o povo recorda que a fundação e o caminho do município sempre caminharam, ao longo do tempo, de mãos dadas com a fé no santo que lhe dá nome e proteção. E há um reconhecimento público dessa tradição: em 2014, a Procissão de São Sebastião foi reconhecida pela Prefeitura do Rio como bem/patrimônio cultural imaterial do município (junto com a Bênção dos Capuchinhos ou Bênção dos Barbadinhos).

A devoção a São Sebastião
No Brasil, a devoção ao santo é tão difundida que se reflete também no número de igrejas dedicadas a ele. Não existe um cadastro nacional único que reúna, de forma completa, paróquias, capelas e comunidades sob o título de São Sebastião; porém, quando se considera especificamente o universo das paróquias, há fontes eclesiais que apontam que mais de 500 paróquias brasileiras são dedicadas a São Sebastião, ainda que levantamentos mais antigos ou com critérios diferentes indiquem números menores, como “mais de cem”.
E por que São Sebastião inspira tanta gente? Há muitos aspectos marcantes em sua história e em sua devoção. A tradição o apresenta como soldado do Império Romano e mártir, morto durante perseguições aos cristãos. Ficou conhecido por ter sido traspassado por flechas, mas a narrativa tradicional afirma que as flechas não foram o fim: ele teria sobrevivido e, depois, foi morto por espancamento, consumando o martírio. Nesse caminho, surge também a figura de Santa Irene, que, segundo a tradição, o encontrou ainda vivo e cuidou de suas feridas. Ao longo da história, São Sebastião tornou-se muito invocado como protetor em tempos de pestes e epidemias, e, por sua ligação com a vida militar e sua iconografia, é lembrado como padroeiro, entre outros, de soldados e arqueiros — e em muitos lugares também como padroeiro de atletas e de quem pede a graça de uma “boa morte”. Além disso, é um dos santos mais retratados na arte, especialmente a partir do Renascimento, com a imagem do corpo marcado pelas flechas atravessando séculos de cultura e espiritualidade. Mesmo quando se reconhece que muitos detalhes de sua vida chegam até nós por tradições antigas, a devoção permanece vigorosa e espalhada, sinal de que seu testemunho continua falando ao coração do povo cristão.
Que esta Novena de São Sebastião – 2026, vivida no Santuário Basílica de São Sebastião (Igreja dos Capuchinhos) e em comunhão com toda a cidade e a Arquidiocese, reacenda em nós a fé, fortaleça nossa unidade e nos faça caminhar com coragem, confiando que Deus sustenta seu povo e que São Sebastião intercede pelo Rio de Janeiro, por nossas famílias e por todos que buscam a graça de permanecer firmes na fé.
A Novena acontecerá de 11 a 19 de janeiro, e a programação é a seguinte:
Programação com os Gestos Concretos
- Dia 11 (Dom), 11h30 — Oração pelos Enfermos (Troca da Faixa de São Sebastião) — Gesto concreto: Leite em pó
- Dia 12 (Seg), 19h — Oração pelas Almas — Gesto Concreto: Detergente
- Dia 13 (Ter), 19h — Oração pelos Idosos — Gesto Concreto: Desinfetante
- Dia 14 (Qua), 19h — Oração pelos Noivos/Namorados — Gesto Concreto: Feijão
- Dia 15 (Qui), 19h — Oração pelas Famílias — Gesto Concreto: Açúcar
- Dia 16 (Sex), 19h — Oração pelos Desempregados — Gesto Concreto: Desinfetante
- Dia 17 (Sáb), 17h — Oração pelas Crianças — Gesto Concreto: Leite em Pó
- Dia 18 (Dom), 11h30 — Oração pelos Paroquianos — Gesto Concreto: Detergente
- Dia 19 (Seg), 19h — Oração pelos que irão trabalhar na festa (Bênção de envio e da fita de São Sebastião) — Gesto Concreto: Café
Dia 20 — Dia de São Sebastião
- Missas: 05h; 06h; 07h; 08h; 10h; 12h; 13h; 14h; 15h; 16h; 17h; 18h; 19h (última Missa do dia na chegada da Imagem)
Confissões: 7h às 17h
