Santuário Basílica celebra a Quarta-Feira de Cinzas e anuncia a Via-Sacra

Paulo segura o filho Arthur, enquanto Frei Ricardo impõe as cinzas em sua testa. | Fotos: Emilton Rocha

A Via Sacra no Santuário Basílica será celebrada sempre às sextas-feiras durante toda a Quaresma

Por Emilton Rocha*

A Quarta-Feira de Cinzas marca, para a Igreja, um dia de profunda sobriedade e de esperança. Depois do ritmo festivo do Carnaval, a liturgia nos convida a recolher o coração, a fazer silêncio interior e a retomar o essencial: Deus. As cinzas — feitas tradicionalmente a partir dos ramos do Domingo de Ramos do ano anterior — são um sinal visível de que a vida passa e de que tudo o que é “aparência” não sustenta a alma. Ao mesmo tempo, elas não falam de derrota, mas de conversão: voltar ao Senhor, recomeçar, deixar-se renovar.

É na Quarta-Feira de Cinzas que começa a Quaresma: um caminho de 40 dias que prepara a comunidade cristã para a Páscoa. A Quaresma é tempo de oração, penitência, caridade e reconciliação, um período em que a Igreja nos chama a “organizar a casa por dentro”, com mais fidelidade ao Evangelho e mais amor concreto ao próximo. É um percurso de cura e amadurecimento espiritual, para que a celebração da Ressurreição não seja apenas uma data, mas um acontecimento vivido.

Por isso, a Quarta-Feira de Cinzas é comumente reconhecida como o dia em que os católicos recebem a bênção e a imposição das cinzas. Ao receber esse sinal na testa (ou sobre a cabeça), cada fiel escuta um chamado direto: converter-se e acreditar no Evangelho, ou recordar que somos pó e ao pó voltaremos — não para entristecer, mas para aprender a viver com verdade, humildade e confiança em Deus.

Até a bebê teve as cinzas impostas na testa.

No Santuário Basílica de São Sebastião (Igreja dos Capuchinhos), essa celebração ganha um sentido ainda mais próximo, porque a presença dos Frades Menores (capuchinhos) lembra à comunidade o estilo de vida que as cinzas simbolizam: simplicidade, desapego e conversão diária. O carisma franciscano-capuchinho é um convite permanente a caminhar “pelo essencial”, com espírito de oração, vida fraterna e atenção aos mais pobres — exatamente o que a Quaresma propõe a todos os cristãos.

Neste dia, foram celebradas três missas com a bênção das cinzas no Santuário Basílica, permitindo que mais fiéis participassem desse início de caminhada quaresmal. Em cada celebração, a imposição das cinzas recordou que a fé cristã não é um enfeite, mas um caminho: reconhecer limites, pedir perdão, retomar a direção e deixar que Deus conduza.

Na missa das 18h, a Eucaristia foi celebrada por Frei Ricardo Figueredo Assis, em comunhão com toda a assembleia, que recebeu as cinzas e renovou o propósito de viver a Quaresma com mais profundidade, oração e compromisso com o bem.

“A bênção e a imposição das cinzas, na Quarta-feira de Cinzas, é um gesto simbólico que marca o início da Quarema e que vem para lembrar-nos que nós viemos do pó e ao pó voltaremos. Mas as cinzas não perdoam os pecados das pessoas, tem que haver o Sacramento da Confissão que leva ao perdão do sacerdote. A propósito, gostaria de dizer ao povo de Deus que participe das missas e celebrações da Via Sacra para que possa cada vez mais ter esse encontro com Deus” — disse o sacerdote.

A Via Sacra no Santuário Basílica

A Via Sacra no Santuário Basílica será celebrada a partir desta sexta-feira, 20, às 16h, com a Sra. Jaci e, após a missa das 18h, com o Diácono Manoel, durante toda a Quaresma.

Que a Quarta-Feira de Cinzas, vivida no coração da Igreja e acompanhada pelos frades do Santuário, seja um verdadeiro recomeço espiritual: um tempo favorável para voltar ao Senhor, fortalecer a fé e preparar, com alegria serena, a grande celebração da Páscoa.

A bebê observa atentamente a imposição das cinzas na testa de sua mãe.

*Pastoral da Comunicação

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