Leão XIV visita o Líbano e pede reconciliação duradoura

Fotos: Vatican Media

Visita histórica de Leão XIV ao Líbano reforça fé, reconciliação e o apelo pela paz, com encontros marcantes, oração em Harissa e homenagem a São Charbel.

Por A12 Redação

A primeira visita apostólica do Papa Leão XIV ao Líbano está sendo um momento profundo para o país. Em Beirute e Harissa, cidades majoritariamente de espiritualidade maronita, o Pontífice destacou que esta terra guarda uma vocação singular para a paz. Logo ao chegar em Beirute, onde se encontrou com as autoridades, os representantes da sociedade civil e o Corpo diplomático, no Palácio Presidencial, Leão XIV afirmou:

“É uma grande alegria encontrar-vos e visitar esta terra onde ‘paz’ é muito mais do que uma palavra: aqui a paz é um desejo e uma vocação, é um dom e um canteiro sempre aberto.”

Resiliência e esperança para um país ferido

No discurso às autoridades, o Papa elogiou a força do povo libanês. Recordou o que move os verdadeiros pacificadores: coragem, perseverança e abertura para o futuro. Disse claramente que “a paz é saber viver juntos, em comunhão, como pessoas reconciliadas”.

O Pontífice ressaltou uma característica chave da história libanesa, de ter a capacidade de se reerguer após cada crise. “Sois um povo que não sucumbe e que, diante das provações, sabe sempre renascer com coragem.”

A visita também contou com a presença de autoridades internacionais. O embaixador brasileiro Tarcísio Costa afirmou que o discurso do Papa foi “um elogio à sociedade libanesa” e reforçou o compromisso do Brasil com “um Líbano em paz e estável”.

Reconciliação como caminho comum

O Papa insistiu na importância do perdão e da cura da memória. Feridas individuais e coletivas, segundo ele, exigem atenção contínua.

Alertou também que a paz não nasce sem metas comuns e sem instituições capazes de promover o bem de todos.

Leão XIV ainda destacou o valor dos libaneses de permanecer no país mesmo diante das dificuldades, lembrando o drama da migração e o êxodo de jovens.

Encorajou comunidades e líderes religiosos a criarem condições dignas para que ninguém seja forçado a partir.

O papel essencial das mulheres

Entre os pontos mais fortes do discurso, o Papa reforçou a presença feminina na construção da paz:

“As mulheres têm uma capacidade específica de promover a paz, porque sabem conservar e desenvolver laços profundos com a vida, com as pessoas e com os lugares.”

Para o Pontífice, o futuro do país depende também das jovens libanesas e da renovação que brota de seus dons sociais, espirituais e políticos.

No primeiro dia, Leão XIV esteve ainda com as Irmãs Carmelitas da Theotokos, em Harissa. Ali, destacou três pilares da vida contemplativa: humildade, oração e sacrifício. A presença silenciosa dessas comunidades, afirmou o Papa, sustenta espiritualmente o povo que sofre.

Ato histórico: Oração diante de São Charbel

No segundo dia, pela manhã, Leão XIV visitou o túmulo de São Charbel, no Mosteiro de São Maroun. A oração foi histórica: é a primeira vez que um Papa reza neste local. Diante do santo eremita, o Papa meditou sobre os valores que sustentam o povo libanês.

Ele recordou o testemunho de Charbel:

“O Espírito Santo moldou-o para que ensinasse a oração aos que vivem sem Deus, o silêncio aos que vivem no barulho, a modéstia aos que vivem para aparecer, a pobreza aos que buscam riquezas.”

Ali pediu conversão, unidade para a Igreja e paz para o Oriente Médio. O gesto emocionou os fiéis libaneses que veem em Charbel um sinal de perseverança silenciosa.

Harissa: com Maria para construir paz

No Santuário de Harissa, dedicado a Nossa Senhora do Líbano, um dos centros marianos mais importantes do Oriente Médio, Leão XIV encontrou bispos, religiosos e agentes pastorais. Destacou que a presença de Maria fortalece a esperança:

“É estando com Maria junto à Cruz de Jesus que a nossa oração dá-nos a força para continuar a esperar e a trabalhar, mesmo quando ao nosso redor ressoa o barulho das armas.”

O Papa ouviu testemunhos de guerra, migração e serviço pastoral. Falou sobre solidariedade concreta, âncora da fé e compromisso diário com os mais vulneráveis.

No final do encontro, entregou ao Santuário uma Rosa de Ouro, símbolo de encorajamento espiritual: o convite para que os cristãos sejam “perfume de Cristo” no mundo. Por fim, Leão XIV descreveu a paz como um dom que brota de Deus: “Assim é a paz: um caminho movido pelo Espírito.”

Encontro ecumênico reforça possibilidade de paz e reconciliação

O Papa convidou o Líbano a deixar-se guiar por essa “melodia maior”, capaz de transformar corações e unir um povo que sofre com os desafios, mas também por uma fé que persiste através das gerações.

Durante o encontro ecumênico e inter-religioso em Beirute, Leão XIV destacou o papel do Líbano como sinal de esperança. Em suas palavras, “numa época em que a coexistência pode parecer um sonho distante, o povo do Líbano é uma poderosa lembrança de que o medo, a desconfiança e o preconceito não têm a última palavra”.

A Praça dos Mártires recebeu o Pontífice em sua primeira viagem internacional. Ele agradeceu por estar “nesta terra abençoada”, marcada pelos profetas e por uma fé que “nunca silenciou”.

Lembrança de seus predecessores

O Papa recordou Bento XIV por meio de sua última exortação apostólica assinada em sua visita ao Líbano 2012, a Ecclesia in Medio Oriente. O Pontífice reforçou que o diálogo entre religiões nasce de bases espirituais profundas. E pediu que “cada chamado à oração se una num único hino que se eleva aos céus para erguer uma súplica sincera pelo dom divino da paz”.

Leão XIV também destacou que o mundo olha para o Oriente Médio com preocupação, mas encontra ali sinais de esperança quando reconhece a “comum humanidade” e a fé “num Deus de amor e misericórdia”. Ele reafirmou que cristãos, muçulmanos e drusos podem construir juntos um caminho de reconciliação.

O Papa citou ainda a Nostra Aetate, a Declaração sobre a Relação da Igreja com as Religiões Não-Cristãs promulgada pelo por São Paulo VI, lembrando que o diálogo exige amor e rejeita preconceito e perseguições. Segundo ele, esse é “o núcleo do diálogo inter-religioso: a descoberta da presença de Deus, além de todas as fronteiras”.

Em seu discurso, evocou a imagem dos cedros e das oliveiras, símbolos da identidade libanesa, e afirmou que suas raízes refletem a força do povo que se espalhou pelo mundo, mas permanece unido. Por isso, o Papa convidou: sois chamados a ser construtores da paz.

Ao final, recordou a devoção a Nossa Senhora do Líbano e pediu que o abraço materno da Virgem inspire reconciliação e unidade, “como nascente de água viva que jorra desde o Líbano”.

Encontro com os jovens libaneses

No último compromisso do dia, Leão XIV encontrou milhares de jovens em Bkerké, diante do Patriarcado Maronita. O cardeal Béchara Boutros Raï o recebeu destacando que o Líbano é “pequeno por superfície, mas grande pela sua missão”, tendo como marco a diversidade religiosa e desejo de renovação.

O Papa ouviu testemunhos de jovens que viveram a explosão no Porto de Beirute e falou sobre coragem, dor e esperança. Ele reconheceu as feridas do país e citou o desafio de muitos jovens que herdam um “mundo dilacerado por guerras e desfigurado por injustiças sociais”. Contudo, reforçou que existe um caminho novo:

“Vocês têm esperança! Vocês têm tempo! Vocês são o presente e, nas suas mãos, já está se construindo o futuro!”

Leão XIV pediu que os jovens vivam a partir do Evangelho e encontrem em Cristo a força para a paz. “O verdadeiro princípio de vida nova é a esperança que vem do alto: é Cristo!”, afirmou ao explicar que o perdão é base da verdadeira justiça.

Ao tratar das relações humanas, o Papa alertou contra o individualismo e apontou o valor do amor autêntico: “A amizade é verdadeira quando diz ‘tu’ antes do ‘eu’”. Para ele, vínculos duradouros florescem na confiança e na dedicação ao outro.

O Pontífice também destacou a caridade como sinal concreto da presença de Deus: “O amor, a caridade, fala uma linguagem universal”. Ele citou exemplos de santos libaneses e convidou os jovens a seguir a espiritualidade de São Charbel. “Reservem todos os dias um tempo para fechar os olhos e olhar apenas para Deus”, pediu o Papa, incentivando oração, leitura bíblica, missa e adoração.

Ao final, recomendou que os jovens mantenham o olhar em Jesus através do coração de Maria e guardem o Rosário como apoio diário. Ele agradeceu pela acolhida e concluiu desejando que o país floresça “num mundo de esperança”. Depois, presidiu a “Promessa de paz e ação dos jovens”, encerrando o encontro sob forte emoção.

.:. Acompanhe toda a cobertura da 1ª viagem apostólica do Papa Leão XIV em a12.com/papa

Fonte: Vatican News

Artigo anteriorSanto do dia 2 de dezembro: Santa Bibiana
Próximo artigoCatequista dá dicas de como ensinar as crianças sobre o Advento