
Atualmente, mais de 2 milhões de pessoas passam por Bom Jesus da Lapa, ao longo do ano, para visitar o santuário e participar das romarias.
Por Nathália Queiroz / ACI Digital
Um estudo geotécnico apresentado em audiência pública na Câmara de Vereadores de Bom Jesus da Lapa, no dia 25 de março, confirmou que as grutas do Santuário do Bom Jesus da Lapa são estáveis e que a visitação, as celebrações e as romarias podem continuar acontecendo com segurança.
Fundado em 1691, o santuário fica em uma gruta no Morro Bom Jesus, a 90 metros de altura. É o primeiro santuário natural do país e uma das sete maravilhas do Brasil. Além da gruta principal, o complexo inclui outras nove grutas e a sala de promessas, que recebem cerca de 2 milhões de romeiros por ano.
O relatório analisou todo o Morro do Bom Jesus e as áreas do entorno, onde ficam casas e comércios. A parte interna, onde estão as grutas, recebeu avaliação positiva. Já o entorno apresentou pontos de risco que exigem medidas urgentes por parte do poder público.
Segundo a prefeitura, as discussões sobre a segurança no local vêm sendo aprofundadas desde 2023, quando um estudo do Serviço Geológico do Brasil identificou a existência de áreas de risco no município, incluindo o entorno do santuário. Em 2025, um plano de ações coordenado pelo Ministério Público da Bahia foi aprovado com foco na segurança do Santuário, permitindo a continuidade das romarias com medidas de controle, monitoramento e organização do fluxo de visitantes.
Em comunicado publicado em 27 de março, o reitor do santuário Bom Jesus da Lapa, padre Roque Silva Alves, CSsR, disse que “conforme o laudo do estudo geotécnico, tornado público, a estrutura interna das grutas apresenta estabilidade, sem risco generalizado de desprendimento de rochas, havendo apenas recomendações pontuais, que já estão sendo acompanhadas”.
“As celebrações e romarias seguem normalmente, mantendo os protocolos de segurança definidos para garantir a integridade dos romeiros e visitantes”, continuou.
O comunicado também explica que desde 2024 o santuário e a mitra diocesana acompanham todas as etapas dos estudos e já vinham adotando medidas preventivas, seguindo recomendações do Ministério Público e do Corpo de Bombeiros.
Entre as melhorias já feitas, estão a instalação de corrimãos e degraus, o reforço da sinalização, melhorias no acesso ao morro, iluminação de emergência, medidas de prevenção contra incêndio e pânico, piso antiderrapante e ampliação do monitoramento por câmeras.
Na audiência, o padre Roque disse à TV do santuário que “a estrutura da gruta é estável, então o que o serviço geológico traz é alguns apontamentos em relação aos paredões da gruta da ressurreição, alguns cuidados com a entrada na gruta dos milagres e outros acessos que a gente precisa interditar para facilitar o andamento por outro lado”.
Risco está no entorno, não no santuário
A parte externa do morro, especialmente a rua Monsenhor Turíbio, foi classificada como área de risco extremo devido à possibilidade de queda de blocos de rocha. Por isso, o Ministério Público recomendou a desocupação das casas próximas ao morro.
“Diante desse risco extremo e iminente … é preciso considerar que, além da interdição das casas, a presença de moradores aumenta o tempo de exposição ao risco”, disse a promotora Raquel Souza dos Santos. “Ou seja, se há moradia, o risco é contínuo. Por isso, essa rua não deve ser utilizada como área residencial”.
A geóloga responsável pelo estudo, Joana Sanchez, explicou que o risco é maior para as casas coladas ao morro, mas não envolve a área interna do santuário.
O prefeito, Eures Ribeiro, também falou sobre isso à TV do santuário: “O grande problema são os moradores da rua, mas o santuário graças a Deus não vai ter nenhum impedimento para as romarias continuarem, estamos trabalhando com o padre Roque e cumprindo as determinações da justiça para dar mais segurança ao romeiro”.
História da devoção ao Bom Jesus
A devoção ao Bom Jesus começou em 1691. O português Francisco de Mendonça Mar distribuiu seus bens e andava pelos sertões carregando um crucifixo do Bom Jesus e uma imagem de Nossa Senhora da Soledade. Ao ver o morro, ele quis ficar dentro de uma gruta onde fez um altar e começou a viver ali como eremita, na solidão.
A notícia de que um homem caridoso com “vida de santo” morava na gruta se espalhou pela região e os habitantes começaram a frequentá-la em busca de oração, consolo espiritual e cura. Assim começaram as primeiras romarias.
Ao saber do que acontecia no local, o arcebispo da Bahia, dom Sebastião Monteiro da Vide (1643 – 1722), convocou Francisco até Salvador (BA), para que fosse formado e ordenado sacerdote, por volta de 1702. Em 1706 padre Francisco da Soledade, nome adotado depois da ordenação, voltou ao santuário sagrado e viveu o sacerdócio por 16 anos. Ele morreu em 1722.
O santuário do Bom Jesus da Lapa é gerido atualmente pelos redentoristas e sua igreja é conhecida como a Igreja de Pedra e Luz, pois fica dentro da gruta de pedra onde Francisco viveu com a imagem do Bom Jesus e de Nossa Senhora da Soledade.
A Romaria do Bom Jesus da Lapa é celebrada todos os anos no dia 6 de agosto, festa da Transfiguração do Senhor, e é precedida por um novenário que começa no dia 28 de julho. Em 2023, a romaria foi declarada patrimônio cultural imaterial da Bahia e em 2025, foi reconhecida como manifestação cultural nacional.
Atualmente, mais de 2 milhões de pessoas passam por Bom Jesus da Lapa, ao longo do ano, para visitar o santuário e participar das romarias. Por isso, a cidade é conhecida como Capital Baiana da Fé.