
História do espaço remonta à tradição capuchinha e foi consolidada no Santuário em 12 de outubro de 1947
Por Emilton Rocha*
No dia 11 de fevereiro, memória litúrgica de Nossa Senhora de Lourdes, o Santuário Basílica de São Sebastião (Igreja dos Capuchinhos), na Rua Haddock Lobo, 266, Tijuca, celebrou com devoção a Missa na Gruta de Nossa Senhora de Lourdes, às 18h. A Missa foi celebrada por Frei Adriano Borges de Lima, com a participação do diácono Manoel, reunindo fiéis em torno da Mãe de Jesus para agradecer, pedir graças e renovar a esperança — especialmente pelos enfermos e por todas as famílias.

A festa de Lourdes remete às aparições de Maria à jovem Santa Bernadette Soubirous, em 1858, na Gruta de Massabielle, em Lourdes, na França: entre 11 de fevereiro e 16 de julho daquele ano, aconteceram 18 aparições, nas quais Nossa Senhora convidou à oração, à conversão do coração e à confiança em Deus, fazendo daquele lugar um sinal de consolo e fé para tanta gente, de modo particular para os que sofrem no corpo e no espírito. Celebrar essa memória na Gruta dos Capuchinhos é, portanto, recordar que Maria continua conduzindo o povo de Deus a Cristo, sustentando a caminhada do Santuário com ternura materna e apontando para o essencial do Evangelho.
A presença dessa devoção entre os capuchinhos no Rio de Janeiro tem raízes antigas e se liga à própria história do Santuário. Ainda no tempo do Morro do Castelo, em 1886, o capuchinho Frei Fidélis de Ávola, devoto de Nossa Senhora de Lourdes, promoveu a construção de uma gruta dedicada a Lourdes junto à antiga Igreja de São Sebastião, fortalecendo essa espiritualidade que marcaria a vida do povo e também a tradição da bênção ligada à saúde. Com a demolição do Morro do Castelo, em 1922, a antiga igreja foi ao chão e a presença capuchinha precisou se reorganizar; mais tarde, na Tijuca, foi erguido o novo templo: a Igreja dos Capuchinhos foi construída entre 1928 e 1931 e inaugurada em 15 de agosto de 1931, já no endereço da Haddock Lobo.

Nessa nova etapa, a devoção a Lourdes também ganhou forma: em 1937, foi construída uma nova gruta inspirada na gruta francesa, acolhendo a oração do povo; e, dez anos depois, em 1947, a gruta foi levada para o interior do Santuário, com inauguração em 12 de outubro, consolidando-se como um espaço de silêncio, confiança e intercessão. Assim, quando a comunidade se reúne na Gruta para celebrar Nossa Senhora de Lourdes, como aconteceu nesta Missa das 18h do dia 11 de fevereiro, ela não apenas recorda um acontecimento de 1858, mas também reafirma uma história viva — feita de fé, perseverança e presença — que atravessa gerações e continua a iluminar a missão do Santuário no coração da Tijuca.
*Pascom/Capuchinhos
