Igreja dos Capuchinhos lança o Cartaz Oficial do Círio de Nazaré na Tijuca

Círio de Nazaré na Tijuca: uma tradição que atravessa caminhos e une um povo. | Arte: Frederico Araújo

Uma tradição que veio do Pará, criou raízes no Rio de Janeiro e permanece viva porque há um povo disposto a continuar caminhando com Nossa Senhora de Nazaré.

Na noite de ontem, segunda (9), a Igreja dos Capuchinhos (Santuário Basílica de São Sebastião) apresentou a arte oficial do Círio de Nazaré 2026, na Tijuca, com o tema: “Maria, Missionária que nos dá Jesus”. Mais do que divulgar uma celebração, o cartaz conta uma história de fé, pertencimento e tradição que encontrou no Rio de Janeiro uma nova morada há mais de um século.

Como acontece todos os anos, o Círio da Tijuca caminha em comunhão com o Círio de Belém do Pará e segue o mesmo tema que inspira a grande festa de Nossa Senhora de Nazaré. Em 2026, essa união também aparece na arte: a devoção fortalecida na Amazônia encontra os rostos, as ruas e a história de quem mantém essa tradição viva na Tijuca.

No centro da imagem está Nossa Senhora de Nazaré com o Menino Jesus, conduzida entre o povo. Ao seu redor estão pessoas da própria comunidade. As fotografias, feitas pela Pastoral da Comunicação – PASCOM, registram quem realmente participa, caminha, reza e acompanha o Círio na Tijuca. Por isso, o cartaz não representa apenas uma procissão: ele também preserva a memória daqueles que ajudam a realizá-la.

Essa caminhada traz ainda uma história de migração e afeto. Entre os participantes estão paraenses que fizeram do Rio de Janeiro sua casa e trouxeram consigo a devoção à Virgem de Nazaré. Longe de sua terra de origem, encontraram na Tijuca um lugar para continuar celebrando e transmitindo essa tradição.

A corda, em destaque na base da composição, é um dos principais símbolos do Círio. Ela lembra a corda que acompanha a berlinda e representa, acima de tudo, um povo unido pela mesma fé: muitas mãos, diferentes histórias e um só caminho.

Ao fundo, a berlinda completa a narrativa. A corda, as flores, o povo, a berlinda e Nossa Senhora não são apenas elementos visuais. Eles fazem referência a uma das maiores e mais importantes manifestações religiosas do Brasil, celebrada na Tijuca com características próprias e profundo respeito por suas raízes paraenses.

Essa é a essência da arte: o encontro entre Belém e a Tijuca. O Pará traz a tradição; a Tijuca, seus rostos, suas ruas e sua história. No centro de tudo, Nossa Senhora conduz seu povo.

O Círio de Nazaré é celebrado na Tijuca desde 1924. Mais de cem anos depois, a corda continua sendo segurada, a berlinda continua avançando e novas gerações seguem participando dessa caminhada.

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