São João Batista: por que é celebrado duas vezes no ano?

Young St. John the Baptist

A Igreja celebra São João Batista em duas datas ao longo do ano. Entenda o significado dessa tradição e sua importância na fé cristã.

Por Beatriz Nery / A12 Redação

A Igreja Católica celebra poucos santos em duas datas distintas ao longo do ano. Entre eles está São João Batista, cuja importância para a história da salvação faz com que os fiéis recordem tanto o seu nascimento quanto o seu martírio.

No dia 24 de junho, a Igreja celebra a Natividade de São João Batista. Já em 29 de agosto, faz memória de seu martírio. A dupla celebração destaca a missão singular daquele que preparou o caminho para a chegada de Jesus Cristo.

A importância de São João Batista na história da salvação

Segundo o Pe. Pablo Moreira, C.Ss.R., a missão de João Batista foi anunciada ainda antes de seu nascimento. O Evangelho de São Lucas relata que ele seria aquele que prepararia um povo bem disposto para acolher o Senhor (cf. Lc 1,17).

O Catecismo da Igreja Católica destaca essa missão ao afirmar que João é o precursor imediato do Messias, enviado para preparar os seus caminhos (cf. CIC 523).

O santo que anunciou o Messias

João Batista dedicou sua vida à pregação da conversão e à preparação espiritual do povo para a chegada de Cristo. Seu testemunho ficou marcado pela coragem e pela fidelidade à verdade.

Conforme recorda o missionário redentorista:

“Ele anunciava, com alegria, a vinda do Messias e qual seria sua missão”. É dele a expressão que comumente ouvimos na missa: ‘Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo’.”

A frase citada está registrada no Evangelho de São João (Jo 1,29) e continua presente em todas as celebrações eucarísticas, pouco antes da Comunhão.

Constituição Dogmática Lumen Gentium, do Concílio Vaticano II, apresenta João Batista como aquele que precedeu Cristo ao anunciar sua vinda e chamar o povo à conversão (cf. LG 58).

Montagem Bruno Novais/A12

“Entre os nascidos de mulher”

A grandeza de João Batista também foi reconhecida pelo próprio Jesus. No Evangelho de São Mateus, Cristo declara:

“Entre os nascidos de mulher não apareceu ninguém maior que João Batista” (Mt 11,11).

Essa afirmação ajuda a compreender por que a Igreja reserva um lugar especial ao santo no calendário litúrgico. Além da Virgem Maria, poucos santos possuem uma celebração de nascimento inscrita na liturgia universal.

O Diretório sobre a Piedade Popular e a Liturgia observa que a celebração da Natividade de São João Batista possui um significado excepcional, justamente por estar ligada aos acontecimentos centrais da história da redenção.

O testemunho que continua atual

Embora muitos associem São João Batista ao seu martírio, a Igreja recorda principalmente sua missão de apontar para Cristo.

“Hoje, São João Batista continua sendo um farol para nós, para nossa vida de fé. Com ele, aprendemos o amor, a fidelidade, o testemunho e a necessidade de anunciar a pessoa de Cristo”, afirma o Pe. Pablo Moreira.

Sua morte ocorreu após denunciar publicamente a situação irregular do casamento de Herodes Antipas com Herodíades (cf. Mc 6,17-29). Por permanecer fiel à verdade, João foi preso e posteriormente decapitado.

Um convite à conversão

A pregação de São João Batista segue tendo um objetivo claro: preparar os corações para acolher Jesus.

“Talvez ele seja conhecido não por ter sido decapitado, mas por ter preparado os caminhos do Senhor, pregando a necessidade da conversão e a proximidade do Reino de Deus. Que acolhamos essa pregação em nossa vida como meio de configuração a Cristo: buscar a conversão para segui-lo cada vez mais de perto.”

As palavras do precursor ecoam ainda hoje: “Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas” (Lc 3,4). Por isso, ao celebrar tanto seu nascimento quanto seu martírio, a Igreja recorda um homem que dedicou toda a sua existência a conduzir as pessoas ao encontro de Cristo.

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