IA tem ‘consequências ainda maiores’ do que a revolução industrial, diz Leão XIV

Papa Leão XIV. | Vatican Media

Entre os palestrantes estava o canadense Christopher Olah, cofundador da Anthropic, uma das principais empresas de inteligência artificial (IA). A empresa entrou em conflito com o governo americano de Donald Trump por proibir o Departamento de Defesa dos EUA de usar seu software para fins militares.

Por ACI Digital

A apresentação teve a presença de três cardeais da Cúria: o secretário de Estado da Santa Sé, Pietro Parolin; o prefeito do Dicastério para a Doutrina da Fé, cardeal Victor Manuel Fernandez; e o prefeito do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral, cardeal Michael Czerny.

Duas teólogas também discursaram: Anna Rowlands, especialista em doutrina social da Igreja e ética da migração na Universidade de Durham, Inglaterra, e Leocadie Lushombo, especialista em teologia política e pensamento social católico na Escola Jesuíta de Teologia da Universidade de Santa Clara, Califórnia, EUA.

Entre os palestrantes estava o canadense Christopher Olah, cofundador da Anthropic, uma das principais empresas de inteligência artificial (IA). A empresa entrou em conflito com o governo americano de Donald Trump por proibir o Departamento de Defesa dos EUA de usar seu software para fins militares.

O papa agradeceu a presença de todos: “Que grande sinal de esperança é que, com nossas diferenças, possamos nos ouvir”, disse Leão XIV em discurso.

“Esta troca de ideias demonstra claramente a gravidade do momento, e a confiança de que, juntos, podemos discernir as grandes questões do nosso tempo e, portanto, o futuro da humanidade”, disse o papa.

Em seu discurso, que antecedeu ao de Leão XIV, Olah disse que “através do diálogo e do esforço mútuo, dessa troca, que a humanidade alcançará grandes feitos. É isso que vejo em Magnifica humanitas, e é por isso que agradeço a Sua Santidade e à Igreja por empreenderem esta tarefa de discernimento”.

Olah, que não é crente, fez também um apelo a vários setores — comunidades religiosas, sociedade civil, acadêmicos e governos — para que sigam o exemplo do papa com o documento: “Levem isso a sério, observem atentamente e ajudem a direcionar os acontecimentos para um rumo melhor. Precisamos de críticos informados que digam aos laboratórios quando estivermos falhando. Precisamos de vozes morais que não possam ser influenciadas por incentivos”.

Não é coincidência que Leão XIV tenha assinado sua primeira encíclica em 15 de maio, a mesma data em que, em 1891, seu antecessor, Leão XIII, promulgou a Rerum novarum (Das Coisas Novas) em resposta à desumanização provocada pela revolução industrial. Como disse Leão XIV, o mundo hoje enfrenta uma mudança de época de magnitude ainda maior.

“Hoje enfrentamos uma transformação de magnitude semelhante, talvez com consequências ainda maiores”, disse ele. “A inteligência artificial já influencia muitas áreas de nossas vidas e afeta decisões que moldam a convivência humana”.

O papa estava particularmente preocupado com o impacto das novas tecnologias no modo como a guerra é travada, que segundo ele está mudando drasticamente.

“Tal como Leão XIII no seu tempo, sinto-me incumbido de contemplar outra grande transformação com olhos de fé, com a clareza da razão, com a abertura ao mistério e com o clamor dos pobres e da terra ressoando no meu coração”, disse Leão XIV.

O papa falou também sobre o método de trabalho seguido para a elaboração do documento magistral, que teve início em julho do ano passado na residência de Castel Gandolfo, Itália, no qual ele reafirma o que torna as pessoas humanas numa sociedade marcada pela tecnologia.

Ele disse que a Magnifica humanitas nasceu da escuta: “Ouvi cientistas e engenheiros que trabalham com sincero entusiasmo em tecnologias capazes de aliviar enorme sofrimento; líderes políticos e funcionários públicos que perseveraram na busca por padrões justos; pais e educadores profundamente preocupados com o futuro das novas gerações”, disse Leão XIV.

O papa disse que também recebeu “outros relatos muito preocupantes sobre sistemas de armas cada vez mais autônomos, praticamente fora do controle humano para serem gerenciados de modo eficaz”.

“Tenho ouvido relatos muito preocupantes sobre algoritmos que podem bloquear o acesso a cuidados de saúde, emprego e segurança com base em dados contaminados por preconceito e injustiça”, disse ele. “E tenho ouvido o silêncio daqueles que não têm voz quando as decisões são tomadas — decisões que provavelmente gerarão novos modos de exclusão e sofrimento”.

O tom do discurso, por vezes beirando o apocalíptico, foi ainda mais contundente do que o da própria encíclica. Em consonância com o que diz no documento — no qual diz que a inteligência artificial “não é moralmente neutra” — Leão XIV exigiu o desarmamento da IA.

“A palavra é forte, eu sei, mas foi escolhida deliberadamente porque este momento precisa de palavras capazes de atrair a atenção, despertar consciências e indicar caminhos para o futuro da humanidade”, disse o papa.

“A Igreja trabalha há muito tempo pelo desarmamento nuclear, consciente de que todo grande poder tecnológico pode afetar a vida das pessoas e, portanto, deve ser acompanhado de discernimento moral adequado e supervisão pública”, disse ele. “O desarmamento nuclear continua sendo um serviço à paz e à dignidade da família humana”.

O tom do discurso, por vezes beirando o apocalíptico, foi ainda mais contundente do que o da própria encíclica. Em consonância com o que diz no documento — no qual diz que a inteligência artificial “não é moralmente neutra” — Leão XIV exigiu o desarmamento da IA.

“A palavra é forte, eu sei, mas foi escolhida deliberadamente porque este momento precisa de palavras capazes de atrair a atenção, despertar consciências e indicar caminhos para o futuro da humanidade”, disse o papa.

“A Igreja trabalha há muito tempo pelo desarmamento nuclear, consciente de que todo grande poder tecnológico pode afetar a vida das pessoas e, portanto, deve ser acompanhado de discernimento moral adequado e supervisão pública”, disse ele. “O desarmamento nuclear continua sendo um serviço à paz e à dignidade da família humana”.

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