“Café com os Capuchinhos” promove integração entre frades e comunidade no Rio

Frei Almir dando início ao tour pela Fraternidade. | Fotos: Pascom

Evento realizado no Convento de São Sebastião oferece momentos de partilha, escuta e apresentação da vida capuchinha

Por Emilton Rocha / Pascom

Durante dias cartazes publicados nas redes sociais convidavam: “Venha participar do café com os capuchinhos; venha tomar um café com os guardiões da história do Rio de Janeiro”. No domingo, 26 de abril, a Fraternidade São Sebastião, localizada na Rua Haddock Lobo, 266, na Tijuca (RJ), abriu suas portas ao público para apresentar o projeto “Café com os Capuchinhos”. O evento, recém-criado, foi realizada em dois horários — às 8h e às 10h — e reuniu fiéis e visitantes interessados em conhecer mais de perto a vida e a espiritualidade franciscana.

Participaram da abertura Frei Dálvio José da Silva, Dom José Ubiratan Lopes, Frei Gerson Antonio Cândido e Frei Almir da Silva. Na chegada, os participantes foram acolhidos e conduzidos por Frei Almir, que apresentou um panorama da cultura capuchinha por meio de um tour pelas dependências do convento. Durante o percurso, os visitantes conheceram a Biblioteca, aspectos da vida de santos capuchinhos e diversas curiosidades sobre a Ordem dos Frades Menores Capuchinhos.

O encontro teve continuidade no refeitório, onde Dom Ubiratan, Frei Almir e Frei Gerson dialogaram com os presentes, respondendo às perguntas dos participantes e promovendo um momento de escuta, partilha e proximidade.

A partir da esquerda: Frei Almir da Silva, Frei Dalvio José da Silva, Frei Gerson Antonio Cândido e Dom José Uniratan Lopes, participantes da abertura.

O café servido também se destacou, sendo amplamente elogiado pela qualidade e variedade, conforme relatos colhidos em entrevistas realizadas ao final da atividade. Elis Oliveira integra a equipe de cozinha do projeto. Bióloga com mestrado em Educação e Saúde e doutorado em Microbiologia, fez transição para a gastronomia em 2018, após formação no Terrapia/Fiocruz e especialização pela Le Cordon Bleu. Atua como chef para famílias no Rio de Janeiro e em Roma, com experiência em eventos, e desde 2020 coordena uma cozinha solidária.

De acordo com Frei Almir da Silva, o projeto deverá acontecer de forma periódica, podendo ser mensal ou quinzenal, conforme o desenvolvimento da iniciativa. A próxima edição já está prevista para o dia 31 de maio, em horário único e ampliado, das 9h30 às 12h.

Frei Gerson: “Muitos visitantes querem saber como é o dia a dia no convento.”

A proposta busca fortalecer os laços entre os frades e a comunidade, oferecendo um espaço acolhedor de convivência, formação e vivência da espiritualidade franciscana. A seguir, em entrevista, Frei Gerson Antonio Cândido apresenta mais detalhes sobre o projeto.

A Fraternidade São Sebastião, na Tijuca, deu início ao projeto “Café com os Capuchinhos”, uma iniciativa que convida o público a vivenciar momentos de acolhida, partilha e espiritualidade franciscana. Em entrevista, um dos frades responsáveis fala sobre os objetivos, a proposta e os frutos desse encontro.

Qual é o principal objetivo da iniciativa “Café com os Capuchinhos” e que tipo de experiência os senhores desejam proporcionar aos participantes?

O “Café com os Capuchinhos” nasce como um convite à convivência fraterna e ao encontro humano. Mais do que oferecer um café, queremos criar um espaço de acolhimento, escuta e partilha. Vivemos em um tempo marcado pela pressa e pelo isolamento. Por isso, a proposta é resgatar o valor do tempo dedicado ao outro. Desejamos proporcionar uma experiência simples, mas significativa: estar juntos, conversar, ouvir e ser ouvido.

Nosso objetivo é que cada pessoa se sinta acolhida desde a chegada, percebendo que a fraternidade é algo concreto e possível. Ao redor da mesa, o café e o pão ganham um novo sentido quando acompanhados de uma conversa sincera.

Como o senhor avalia a importância de aproximar o público da espiritualidade e da cultura da Ordem dos Frades Menores Capuchinhos por meio de encontros como este?

Essa aproximação é essencial. A espiritualidade capuchinha precisa ser vivida de forma concreta e acessível, especialmente em uma cidade como o Rio de Janeiro, onde as pessoas enfrentam tantos desafios no dia a dia. Encontros como este ajudam a construir pontes entre a vida religiosa e a comunidade. Não se trata de se afastar do mundo, mas de viver a fé dentro dele, com simplicidade e proximidade.

Queremos mostrar que a fraternidade não é um ideal distante, mas uma forma prática de viver melhor e de construir relações mais humanas. O sagrado também se manifesta no cotidiano, nos gestos simples e na convivência.

Fotos 1 e 2: após o tour, a hora do lanche; foto 3, Frei Almir, Elis Oliveira e Frei Gerson: o trio unido no novo projeto.
Durante o momento no refeitório, aberto às perguntas dos participantes, quais são os temas que mais despertam interesse ou curiosidade entre os visitantes?

O momento no refeitório é muito especial, pois permite um diálogo espontâneo e próximo. As perguntas geralmente giram em torno da vida cotidiana dos frades. Muitos visitantes querem saber como é o dia a dia no convento, como vivemos a espiritualidade na prática, o significado do hábito e outros aspectos da vida religiosa.

O mais interessante é que não há um roteiro fixo. As conversas acontecem de forma natural, entre um café e outro, criando um ambiente leve e acolhedor. No fundo, percebemos que a maior curiosidade das pessoas é saber se ainda é possível viver em comunhão. E essa resposta acontece ali mesmo, na experiência de convivência.

De que forma iniciativas como essa podem contribuir para fortalecer a fé e o vínculo da comunidade com o Convento e a vida franciscana no contexto atual?

Iniciativas como o “Café com os Capuchinhos” fortalecem a fé por meio da convivência. Quando as pessoas entram no convento, não estão apenas visitando um espaço, mas participando de uma experiência de vida. A fé deixa de ser algo distante e passa a ser vivida na prática, nos gestos de acolhida, na escuta e na partilha.

Em um tempo marcado pelo individualismo, esse tipo de encontro se torna ainda mais necessário, pois mostra que é possível viver relações mais profundas e verdadeiras. Além disso, a proposta é que essa experiência não fique apenas no convento. Queremos que cada participante leve essa vivência para o seu dia a dia, fortalecendo a convivência em família, no trabalho e na sociedade.

Mais do que um evento, trata-se de um convite a viver a fé como um caminho de encontro, comunhão e cuidado com o outro.

As conversas acontecem de forma natural, entre um café e outro, criando um ambiente leve e acolhedor.
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