Leão XIV ao visitar a prisão de Bata, na Guiné Equatorial, na última quarta-feira (22/04)

Leão XIV ao visitar a prisão de Bata, na Guiné Equatorial, na última quarta-feira (22/04)

Em vídeo pelos 15 anos da abolição à pena de morte em Illinois, nos EUA, Leão volta a condenar a prática, como fez em coletiva de imprensa no retorno da África. Recordou que a Igreja “ensina que ‘a pena de morte é inadmissível porque atenta contra a inviolabilidade e dignidade da pessoa'”. Disse se unir a esforços locais que “inspiram outros a trabalhar pela causa justa”, assim como Papa Francisco e predecessores, cientes de que é possível “salvaguardar a justiça sem recorrer à pena capital”.

Andressa Collet – Vatican News

O Papa Leão XIV reforçou em mensagem de vídeo nesta sexta-feira (24/04) a condenação à pena de morte, ao assassinato de pessoas e a todas as ações injustas, como enalteceu no dia anterior em coletiva de imprensa no voo de retorno da África. Por ocasião do aniversário de 15 anos da abolição da pena de morte no estado de Illinois, nos Estados Unidos, o Pontífice se dirigiu aos participantes de um evento comemorativo a esse marco realizado pela Universidade DePaul, que contou com a participação da Irmã Helen Prejean, ativista de renome mundial contra essa prática capital. A noite celebrativa no Centro de Estudantes do Lincoln Park, em Chicago, teve transmissão ao vivo.

Em março de 2011, Illinois se transformou no 16° estado do país a abolir a pena de morte, após uma longa e controversa batalha que atestou que o sistema de pena capital carecia de credibilidade, era excessivamente caro e corria o risco de executar pessoas inocentes. Atualmente, de acordo com dados de 2025 do Centro de Informações sobre a Pena de Morte (Death Penalty Information Center), Illinois faz parte do grupo de 23 dos 50 estados dos EUA que não prevêem a pena de morte. No mundo, segundo a organização de direitos humanos Anistia Internacional, muitos países que mantêm a pena de morte ocultam dados, dificultando um levantamento exato, mas cerca de 86 nações ainda realizam execuções (relatório de 2024).

É possível garantir justiça sem recorrer às execuções

Apesar da pena de morte seguir sendo uma realidade nos Estados Unidos, onde a legislação criminal permite que cada estado decida de forma autônoma sobre esse tipo de punição, é grande o movimento em defesa de uma ética da vida. O evento na universidade, por exemplo, uniu histórias pessoais, música, reflexões e a própria mensagem em vídeo do Papa Leão XIV. Logo no início, ele recordou o discurso feito em janeiro deste ano aos membros do Corpo Diplomático acreditado junto à Santa Sé:

“A Igreja Católica sempre ensinou que toda vida humana, desde o momento da concepção até a morte natural, é sagrada e merece ser protegida. De fato, o direito à vida é o próprio fundamento de todos os outros direitos humanos. Por isso, somente quando uma sociedade tutela a sacralidade da vida humana  pode florescer e prosperar.”

A esse respeito, continuou o Papa em vídeo, “afirmamos que a dignidade da pessoa não se perde, mesmo após a prática de crimes gravíssimos”. O Pontífice abordou, assim, sobre os sistemas de detenção que podem ser “eficazes” para proteger os cidadãos e, ao mesmo tempo, “não privam completamente aos criminosos a possibilidade de se redimirem”. Por isso tanto Papa Francisco como os outros recentes predecessores, disse Leão XIV, “reiteraram repetidamente que é possível proteger o bem comum e salvaguardar os requisitos da justiça sem recorrer à pena capital”:

“A Igreja ensina que ‘a pena de morte é inadmissível porque atenta contra a inviolabilidade e dignidade da pessoa’. Assim, eu me uno a vocês para celebrar a decisão tomada em 2011 pelo governador de Illinois e ofereço o meu apoio àqueles que lutam pela abolição da pena de morte nos Estados Unidos da América e em todo o mundo. Rezo para que os seus esforços levem a um maior reconhecimento da dignidade de cada pessoa e inspirem outros a trabalhar pela mesma causa justa.”

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