Da procissão de Ramos à luz da Páscoa: a intensa vivência da Semana Santa no Santuário Basílica

Um dos momentos mais marcantes da liturgia é toda a assembleia acender as velas no Santuário Basílica às escuras na noite do Sábado Santo, pois traduz, de forma visível e profunda, o coração da fé cristã: Cristo vive e ilumina a humanidade. | Fotos: E. Rocha

Do Domingo de Ramos à Vigília Pascal, a Igreja dos Capuchinhos viveu dias de profunda espiritualidade, celebrações marcantes e forte comunhão da comunidade na Tijuca

Emilton Rocha / Pascom*

A Semana Santa no Santuário Basílica de São Sebastião, (Igreja dos Capuchinhos), foi marcada por dias de intensa vivência espiritual, grande participação dos fiéis e celebrações que renovaram, no coração da Tijuca, o mistério central da fé cristã. Desde o Domingo de Ramos, a comunidade foi conduzida a um caminho de oração, recolhimento e profunda comunhão com os últimos passos de Jesus até a Ressurreição.

O Domingo de Ramos abriu a Semana Santa.

A abertura desse tempo sagrado aconteceu com a tradicional celebração do Domingo de Ramos, iniciada na Praça Afonso Pena, onde os fiéis se reuniram para a bênção dos ramos e, em seguida, seguiram em procissão até o Santuário Basílica. O gesto recordou a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, mas também introduziu a comunidade no mistério da Paixão do Senhor. Com fé e devoção, os participantes deram início à Semana Santa em um clima de solenidade e oração, testemunhando publicamente a fé cristã em plena cidade.

Nos dias seguintes, o ambiente espiritual foi se intensificando por meio das celebrações próprias desse tempo e também com momentos de oração que favoreceram o recolhimento e a preparação interior dos fiéis. Na Terça-Feira Santa, por exemplo, a comunidade se reuniu para a reza do Terço, inicialmente prevista para acontecer na Gruta de Nossa Senhora de Lourdes. Em razão da chuva, porém, houve mudança de local, e o momento de oração foi realizado no Salão Frei Nemésio, preservando o clima de devoção e unidade que marcou toda a programação da semana.

A Via Sacra realizada na Praça Afonso Pena, na Tijuca, reuniu uma multidão de fiéis em um forte momento de oração e devoção durante a Semana Santa. A celebração recorda o caminho percorrido por Jesus Cristo carregando a cruz, desde sua condenação por Pôncio Pilatos até o momento de seu sepultamento.

Outro dos momentos mais expressivos aconteceu com a realização da Via Sacra na Praça Afonso Pena. Reunindo centenas de pessoas, a oração pública das estações da cruz levou ao espaço urbano a meditação da Paixão de Cristo, transformando a praça em um verdadeiro cenário de fé, silêncio e reflexão. A expressiva presença dos fiéis confirmou, mais uma vez, a força evangelizadora do Santuário e sua missão de aproximar a liturgia da vida do povo.

Com o início do Tríduo Pascal, a comunidade entrou nos dias mais santos do ano litúrgico. Na Quinta-feira Santa, a Missa da Ceia do Senhor recordou a instituição da Eucaristia e do sacerdócio, além do mandamento do amor, em uma celebração profundamente marcada pelo espírito de serviço e entrega. A liturgia conduziu os fiéis ao coração da vida cristã, mostrando que a Páscoa de Jesus começa no amor que se faz dom.

Na liturgia da Quinta-feira Santa, o gesto do Lava-Pés é reencenado pelo sacerdote, que lava os pés de alguns fiéis, recordando que toda a Igreja é chamada a viver na humildade, no serviço e no amor fraterno.

Na Sexta-feira Santa, o silêncio, a reverência e a contemplação tomaram conta do Santuário. A celebração da Paixão do Senhor reuniu os fiéis em torno da cruz de Cristo, em um momento de profunda piedade, oração e reconhecimento do imenso amor de Deus manifestado no sacrifício redentor de Jesus. Foi um dia de recolhimento intenso, em que a dor da cruz foi contemplada à luz da esperança.

A prostração na Sexta-Feira Santa é um gesto simples, mas muito eloquente, que traduz reverência, dor, silêncio e profunda adoração diante do mistério da Cruz.

O Sábado Santo culminou na solene Vigília Pascal, ponto mais alto de toda a Semana Santa. Como é tradição, a celebração teve início no pátio do Santuário Basílica, com a bênção do fogo novo, do qual foi aceso o Círio Pascal, símbolo de Cristo ressuscitado. A entrada do Círio na igreja ainda escura expressou, de maneira forte e bela, a chegada da luz de Cristo ao coração da comunidade reunida. Presidida pelo reitor e pároco Frei Adriano Borges de Lima, a celebração foi vivida em clima de alegria, esperança e renovação da fé, proclamando a vitória da vida sobre a morte.

O sacerdote entrar na igreja às escuras com o Círio aceso é um dos instantes mais emocionantes da Vigília Pascal, pois marca a passagem das trevas para a luz, da morte para a vida nova em Cristo.

Assim, da procissão de Ramos à luz da Vigília Pascal, passando também pelos momentos de oração e piedade vividos ao longo dos dias, o Santuário Basílica de São Sebastião celebrou uma Semana Santa de grande beleza litúrgica e forte participação popular. Cada celebração foi, para a comunidade, mais do que uma recordação: foi uma verdadeira experiência do mistério pascal de Cristo. Em meio às orações, procissões, cantos, silêncio e esperança, os fiéis puderam renovar sua fé e reafirmar que, no Cristo crucificado e ressuscitado, está a fonte da vida nova que sustenta a Igreja e ilumina o mundo.

*Pastoral da Comunicação

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