Rio celebra 461 anos: sob a proteção de São Sebastião, Dom Orani preside missas no Cristo Redentor e na Tijuca

Dom Orani incensa a imagem peregrina do padroeiro no Santuário de São Sebastião, na Tijuca / Foto: Emilton Rocha

Por Carlos Moioli / Jornal Testemunho de Fé

Neste domingo, 1º de março, o Rio de Janeiro celebra seus 461 anos de fundação com duas missas em ação de graças presididas pelo arcebispo metropolitano, Dom Orani João Tempesta. A primeira celebração acontecerá às 8h, no Santuário Arquidiocesano Cristo Redentor, no Corcovado, com transmissão pela TV Brasil. Em seguida, às 11h30, a segunda missa será celebrada no Santuário Basílica de São Sebastião, na Tijuca, reunindo fiéis, autoridades civis e religiosas para rezar pela cidade e por seu povo.

Na celebração no Cristo Redentor, a presença da imagem peregrina de São Sebastião recorda que o Rio nasceu sob a proteção de seu padroeiro. A subida do santo mártir ao Corcovado, aos pés do Cristo, simboliza a entrega da cidade ao cuidado de Deus e a união entre a história civil e a devoção do povo carioca.

Do Morro Cara de Cão à Consolidação

A história da cidade remonta a 1º de março de 1565, quando Estácio de Sá fundou oficialmente a cidade no Morro Cara de Cão, onde hoje se localiza a Fortaleza de São João, no bairro da Urca. A fundação ocorreu em um cenário de intensos conflitos: desde 1555, os franceses haviam estabelecido a chamada França Antártica na Baía de Guanabara, aliando-se a grupos indígenas locais para ameaçar o domínio português.

A expedição de Estácio de Sá foi estratégica para a Coroa Portuguesa. O nome dado à cidade, São Sebastião do Rio de Janeiro, não foi apenas uma homenagem ao então rei de Portugal, Dom Sebastião, mas um reflexo da profunda devoção do próprio monarca ao santo mártir, nascido em um dia 20 de janeiro. A vitória definitiva contra os franceses e seus aliados, consolidada entre 1560 e 1567, é frequentemente associada, pela tradição popular, à proteção espiritual do padroeiro.

São Sebastião: o soldado, o mártir

A figura de São Sebastião é um sinal permanente de esperança para o povo carioca. Nascido em Narbonne e criado em Milão no século III, ele foi capitão da guarda imperial romana e, secretamente cristão, utilizava sua posição para consolar e animar os fiéis perseguidos. Sua fidelidade a Cristo levou-o ao martírio, sendo condenado pelo imperador a ser executado por flechas. É nessa imagem do “santo flechado” que o povo do Rio encontra um modelo de superação.

A tradição preserva relatos como a Batalha das Canoas, na qual o padroeiro teria surgido milagrosamente para defender os portugueses das flechadas inimigas. Hoje, as “flechadas” que a cidade enfrenta são transpostas para os desafios modernos: a violência urbana, as desigualdades sociais e tantas outras mazelas.

São Sebastião, que sobreviveu ao primeiro martírio graças aos cuidados de Santa Irene, ensina que a dor não tem a última palavra e que a resiliência vem da fé e da solidariedade.

Protetor da cidade

Historicamente, São Sebastião é invocado como o padroeiro contra a peste. Ao longo de sua história, a cidade recorreu ao seu padroeiro em momentos críticos, como nos recorreu ao seu padroeiro em momentos críticos, como nos surtos de varíola no período colonial, na febre amarela em 1850 e na gripe espanhola em 1918.

Mais recentemente, durante a pandemia da Covid-19, a Arquidiocese do Rio de Janeiro renovou os pedidos de intercessão, adaptando as celebrações e a tradicional Trezena deSão Sebastião para formatos virtuais e itinerantes, garantindo que a bênção do padroeiro chegasse aos hospitais e lares enlutados. Essa relação de confiança mostra que a fé do povo carioca é testada, mas fortalecida nas tribulações.

O santuário guardião das relíquias da cidade

O local escolhido para a missa do aniversário, o Santuário Basílica de São Sebastião, na Tijuca, é o herdeiro direto da primeira igreja erguida no Morro do Castelo. O templo guarda tesouros inestimáveis da fundação do Rio: a imagem histórica de São Sebastião, trazida por Estácio de Sá de Portugal no século XVI, o marco de pedra da fundação da cidade e os restos mortais do fundador, Estácio de Sá.

Esses elementos tornam o Santuário de São Sebastião um ponto de encontro entre a fé e a memória histórica, recordando que o desenvolvimento da metrópole sempre esteve acompanhado pela presença da Igreja e pela devoção ao mártir.

Fé em Movimento

Sob o pastoreio de Dom Orani João Tempesta, a devoção ao padroeiro ganhou um novo fôlego com a instituição da Trezena de São Sebastião, em 2010. Todos os anos, o arcebispo percorre a cidade como um “arcebispo peregrino”, visitando paróquias, hospitais, presídios, favelas, instituições e órgãos governamentais.

Essa “Igreja em saída” busca atingir as periferias existenciais, levando a imagem peregrina — uma réplica daquela trazida por Estácio de Sá — a todos os cantos da Arquidiocese do Rio de Janeiro.

Rezar pelas autoridades e pelo povo

A missa de 1º de março é, acima de tudo, um convite à intercessão. A Igreja enfatiza a importância de rezar pela cidade e por aqueles que detêm a responsabilidade de governá-la.

O pedido é para que o prefeito, vereadores e magistrados atuem com ética, promovendo o bem comum e a distribuição equitativa da justiça.

Além das preces pelos governantes, a celebração foca nas famílias cariocas e nos desafios urbanos, pedindo a São Sebastião que livre a cidade de “epidemias corporais, morais e espirituais”. A Arquidiocese do Rio convida os fiéis a contemplar o passado com gratidão e a viver o presente com responsabilidade, buscando transformar o Rio de Janeiro em um sinal de esperança e fraternidade no coração do Brasil.

Ao celebrar 461 anos, o Rio de Janeiro reafirma que sua identidade é indissociável de seu padroeiro. Como diz o hino do santo, a prece é para que a “grande fé, esperança e fortaleza” continuem a acender nos corações e nos lares cristãos e a guiar a cidade rumo a um futuro de paz, fraternidade e solidariedade.

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