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Como os Magos, somos convidados a seguir a estrela — que hoje pode ser a Palavra de Deus, a Eucaristia, a voz da Igreja, o testemunho dos santos, o bem feito em silêncio — e a oferecer ao Menino aquilo que somos e temos
A Epifania do Senhor é uma das festas mais luminosas do calendário cristão. Celebrada tradicionalmente em 6 de janeiro, ela nos recorda que Jesus não veio apenas para um grupo ou para um povo específico: Ele se manifesta como Salvador de todos, luz oferecida a todas as nações. A palavra “epifania” significa justamente manifestação — é Deus se deixando ver, se revelando, abrindo as portas do seu mistério para o mundo.
Na liturgia, a Epifania aponta para um tema central: Cristo é a Luz que guia os que O procuram. Não é uma luz que impõe, mas que atrai; não é um brilho que confunde, mas que orienta. Por isso, a imagem da estrela é tão forte: ela representa o caminho de quem busca a verdade com sinceridade e se põe a caminhar, mesmo sem ter todas as respostas prontas. A estrela não “faz o caminho” por ninguém, mas indica a direção e mantém viva a esperança.
É aqui que entra a belíssima ligação com os três Reis Magos. O Evangelho nos diz que eles vêm do Oriente, guiados pela estrela, para adorar o Menino (cf. Mt 2,1-12). Mais do que uma cena de presépio, trata-se de um anúncio profundo: aqueles homens, estrangeiros, representantes de outros povos e culturas, reconhecem em Jesus o Rei e o Senhor. Eles simbolizam a humanidade inteira — gente de longe, gente diferente, gente que talvez nem conheça tudo sobre Deus, mas que carrega no coração o desejo de encontrá-Lo.
Os presentes que oferecem são também uma catequese viva:
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Ouro: reconhece Jesus como Rei — o verdadeiro Rei que não domina pela força, mas reina pelo amor e pela justiça.
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Incenso: proclama a divindade de Cristo — o Deus que merece adoração, o Deus que se aproxima.
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Mirra: aponta para a humanidade sofredora do Senhor — sinal de sua paixão e morte, lembrando que Ele veio salvar-nos por inteiro, assumindo nossa condição.
A Epifania, portanto, é uma festa que nos provoca e consola. Ela provoca, porque pergunta: que caminhos estamos dispostos a percorrer para encontrar o Senhor? E consola, porque garante: Deus se deixa encontrar, e se manifesta também para quem vem de longe, para quem recomeça, para quem busca com humildade.
Como os Magos, somos convidados a seguir a estrela — que hoje pode ser a Palavra de Deus, a Eucaristia, a voz da Igreja, o testemunho dos santos, o bem feito em silêncio — e a oferecer ao Menino aquilo que somos e temos. E, depois do encontro, acontece o que o Evangelho descreve de modo simples e transformador: eles “voltaram por outro caminho”. Quem encontra Cristo não volta igual; muda a rota, muda o olhar, muda a vida.
Que a Epifania do Senhor reacenda em nós a certeza de que Jesus é a Luz das nações e o Deus-conosco, e que, guiados por essa luz, possamos adorá-Lo com alegria e caminhar como discípulos, levando a estrela da esperança aonde houver escuridão.
