São Francisco e a história do primeiro presépio

Afresco da Natividade de Giotto projetado na Basílica de São Francisco de Assis. | Crédito: Buffy1982/Shutterstock

O Papa Francisco visitou o local duas vezes: uma em 2016 e novamente em 1º de dezembro de 2019, quando assinou uma carta apostólica sobre o significado e a importância dos presépios.

Por Hannah Brockhaus / Catholic News Agency

É uma história de origem bem conhecida: como o jovem e rico Francisco de Assis abandonou livremente seu nobre patrimônio para servir à Igreja de Cristo como um pregador itinerante e pobre.

Um dos santos mais amados do mundo, o fundador da ordem franciscana tinha grande apreço pela criação de Deus. Ele também amava o Natal, a solenidade da Natividade do Senhor.

As meditações de São Francisco sobre a vida de Cristo o levaram a criar o primeiro presépio da história em Greccio, Itália, em 1223.

Da Terra Santa à Itália

Acredita-se que a inspiração de Francisco para fazer uma representação ao vivo do nascimento de Jesus tenha surgido de sua experiência na Terra Santa nos anos de 1219 e 1220.

Ver os locais sagrados do nascimento, vida, morte e ressurreição de Cristo fez com que parecessem ainda mais reais — e ele queria recriar essa experiência.

Em novembro de 1223, três anos antes de sua morte, São Francisco estava em Roma aguardando a aprovação do papa à regra final de seus frades.

O frade e diácono já conhecia muito bem a cidadezinha de Greccio, situada no alto de uma colina, a cerca de 80 quilômetros ao norte de Roma. Ele havia chegado lá pela primeira vez mais de uma década antes e retornava frequentemente para pregar ao povo da região rural circundante.

O santuário de Greccio, na Itália. É apelidado de “Belém Franciscana” porque neste local, em 1223, São Francisco celebrou o Natal recriando o cenário de Belém. Crédito: Marinella Bandini

Antes de retornar ao eremitério, duas semanas antes do Natal, Francisco pediu a seu amigo, o senhor de Greccio Giovanni Velita, que preparasse uma gruta com animais vivos e uma manjedoura cheia de palha.

O frade já havia recebido permissão, durante sua audiência com o papa, para encenar a cena do nascimento de Jesus em Belém.

Segundo o primeiro biógrafo de São Francisco, Frei Tomás de Celano, o frade desejava “representar o nascimento daquele Menino em Belém de tal forma que, com nossos próprios olhos, pudéssemos ver o que ele sofreu por falta do necessário para um recém-nascido e como ele jazia em uma manjedoura entre o boi e o jumento”.

Foi assim que, em dezembro de 1223, nos penhascos rochosos a uma curta distância de Greccio, as pessoas se reuniram para ver a cena simples durante a missa de Natal.

São Francisco, que era diácono, proclamou o Evangelho e pregou a homilia.

Segundo relatos da época, fogueiras iluminaram a cena escura enquanto multidões chegavam ao local carregando velas e tochas.

Uma testemunha ocular afirma que um milagre aconteceu na missa naquela noite.

Giovanni Veleti afirmou ter visto um bebê de verdade aparecer na manjedoura vazia e que São Francisco tomou a linda criança em seus braços, segurando-a contra o peito em um abraço.

No período que se seguiu, outros milagres foram relatados, realizados pelo toque na palha da manjedoura onde o Menino Jesus havia aparecido.

Curas milagrosas ocorreram depois que pedaços de feno foram colocados sobre animais doentes ou mulheres em trabalho de parto com dificuldades.

O Papa Francisco assina sua carta apostólica Admirabile Signum no local onde São Francisco criou o primeiro presépio fora de Greccio, Itália, em 1º de dezembro de 2019. Crédito: Vatican Media

Greccio hoje

O local onde foi encenada a primeira Natividade ainda pode ser visto hoje no eremitério e santuário franciscano fora da cidade principal. A rocha é coroada por um altar para a celebração da missa e adornada com afrescos que retratam o nascimento de Jesus.

O Papa Francisco visitou o local duas vezes: uma em 2016 e novamente em 1º de dezembro de 2019, quando assinou uma carta apostólica sobre o significado e a importância dos presépios.

“Todos os presentes” na Missa de Natal de São Francisco, escreveu o Papa Francisco na Admirabile Signum , “experimentaram uma alegria nova e indescritível diante da cena natalina. O sacerdote então celebrou solenemente a Eucaristia sobre o presépio, mostrando a ligação entre a encarnação do Filho de Deus e a Eucaristia. Em Greccio não havia estátuas; a cena da Natividade foi encenada e vivenciada por todos os presentes.”

A Gruta da Natividade, dentro do santuário de Greccio (Itália). É um cômodo pequeno e simples. Sob a mesa do altar, encontra-se o nicho na rocha que, segundo a tradição, abrigava a estátua do Menino Jesus que milagrosamente ganhou vida durante a encenação dirigida por São Francisco. Crédito: Marinella Bandini

Todos os anos, no Natal, os habitantes de Greccio encenam uma representação histórica ao vivo de São Francisco e do primeiro presépio. A apresentação já está em sua 50ª edição.

Esta matéria foi publicada originalmente em 23 de dezembro de 2022 e foi atualizada.

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